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Hebe Camargo num lambeselinho em Grande Otelo, mascote da campanha.

domingo, 12 de março de 2017

Leishmaniose - Sul de Minas é muito prejudicado com a presença do flebotomínio

10/03/2017 07h30 - Atualizado em 10/03/2017 07h30

'Higiene é única forma de combater leishmaniose', diz infectologista

Em 2017. um caso da forma visceral da doença foi registrado no Sul de MG.
Mais branda, a leishmaniose cutânea também tem ocorrido na região.

Daniela AyresDo G1 Sul de Minas
O aparecimento de casos de leishmaniose no Sul de Minas tem preocupado as autoridades em saúde. Em Lavras (MG), uma campanha de prevenção foi iniciada no final de janeiro, depois que uma menina de 13 anos foi identificada com a forma mais letal da doença, a visceral. Em Poço Fundo (MG), pelo menos duas pessoas manifestaram a versão mais branda, a cutânea, que causa úlceras na pele. Causada por um protozoário, a doença infecciosa crônica é incomum na região. "Manter a higiene é a única forma de combater a leishmaniose", afirma o infectologista Adelmo Silva Neto.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, nove casos de leishmaniose visceral humana foram registrados em municípios da região, dos quais sete pacientes haviam se deslocado para outras regiões e estados, o que impediu a identificação do local onde a infecção ocorreu. Nas outras duas notificações, a secretaria confirmou que a infecção ocorreu em Alpinópolis, no ano de 2009.
Leishmaniose não é transmissível, mas em alguns casos pode levar a morte; na forma cutânea, causa feridas na pele (Foto: Reprodução/EPTV)Leishmaniose não é transmissível, mas em alguns casos pode levar a morte; na forma cutânea, causa feridas na pele (Foto: Reprodução/EPTV)
"A doença é comum principalmente nas regiões Centro, Norte, Leste, Noroeste e Nordeste do Estado. A ocorrência de casos de leishmaniose visceral humana na região Sul de Minas Gerais é pouco comum, geralmente são provenientes de outras áreas do estado de Minas Gerais", explicou o órgão por meio de nota ao G1.
Lavras, MG (Foto: Reprodução EPTV/Tarciso Silva)Em Lavras, um caso de leishmaniose visceral foi
confirmado em janeiro; menina de 13 anos
sobreviveu a doença extremamente letal
(Foto: Reprodução EPTV/Tarciso Silva)
Ainda conforme a secretaria, em 2014, o estado teve 363 registros da forma visceral da doença, enquanto houve 448 confirmações em 2015 e outras 515 em 2016. "Nos últimos três anos, pode-se observar a tendência de crescimento do número de casos confirmados de leishmaniose visceral no Estado. Dessa forma, as atividades de vigilância e controle da doença devem ser realizadas de forma integrada e contínua, como forma de prevenir a expansão da mesma, a ocorrência de casos e óbitos", informou a secretaria.
Para o infectologista Adelmo Silva Neto, combater o mosquito que transmite a doença, conhecido popularmente como mosquito-palha, é a melhor prevenção, já que não há vacina contra a leishmaniose e os tratamentos são demorados. Ele explica, em entrevista ao G1, como a doença se comporta e que os cuidados para evitar a proliferação do transmissor são semelhantes aos de combate ao Aedes aegypti, associado à dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Infectologista Adelmo Silva neto tira-dúvidas sobre a leishmaniose (Foto: Daniela Ayres/G1)Infectologista Adelmo Silva neto tira-dúvidas sobre a leishmaniose (Foto: Daniela Ayres/G1)
G1: O que é a leishmaniose?
Infectologista Adelmo: A leishmaniose é um grupo de doenças. Há quatro principais espectros da doença. A mais simples, menos grave, é a leishmaniose cutânea ou tegumentar, que apresenta úlceras que dão na pele, geralmente em área exposta, como braços, faces, perna. Tem uma forma mais grave da própria cutânea, que chama cutânea difusa, que são lesões generalizadas no corpo inteirinho, lembra muito a hanseníase mesmo. E outra forma cutânea é a muco-cutânea que, além de pegar a pele, pega a mucosa- afeta o septo nasal, gengiva- é o que pessoal chamava de "nariz de anta", "úlcera de bauru".Mas nada se compara à leishmaniose visceral, também conhecida popularmente como calazar. E cada uma dessas é causada por uma espécie diferente do gênero leishmania. A leishmania não é uma bactéria nem um vírus. É um protozoário. Ela tem várias espécies e cada uma é responsável por cada forma.
G1: Quais sintomas a doença apresenta?
Adelmo: As formas cutâneas apresentam úlceras. O que diferencia uma da outra é onde essas lesões aparecem. A visceral é causada pelo [protozoário] leishmania chagasi. É totalmente diferente da tegumentar. É uma doença sistêmica, que ataca o corpo inteiro. Os primeiros sintomas, às vezes, são fraqueza, adinamia [fraqueza muscular], sonolência, fadiga extrema. É uma doença muito difícil de identificar porque os sintomas são muito gerais. Os sintomas mais específicos aparecem, infelizmente, quando a doença já está mais avançada. A barriga começa a crescer porque o baço aumenta, febre muito alta, que não passa. Dos quatro tipos de leishmaniose é a de maior letalidade, mas tem tratamento.
leishmaniose, Sul de Minas (Foto: Reprodução EPTV/Edson de Oliveira)Leishmaniose cutânea causa lesões na pele
(Foto: Reprodução EPTV/Edson de Oliveira)
G1: E como é feito o diagnóstico?
Adelmo: As formas cutâneas podem ser identificadas por exame de sangue, mas o diagnóstico mais eficaz é feito a partir do esfregaço da lesão, que é analisado por um patologista. A visceral depende do exame de sangue ou biópsia do baço, para localizar o protozoário.

G1: A leishmaniose deixa sequelas?
Adelmo: Para os casos de leishmaniose cutânea, a sequela é mais estética. Nunca vi um caso que não deixasse uma cicatriz. Na forma mais grave da cutânea, que é a muco-cutânea, por atingir as mucosas, o paciente pode ter uma sinusite crônica, por exemplo. Na visceral, a pessoa vai ficar mais fraca, mais sujeita a anemia, há piora do condicionamento cardiovascular, porque é uma doença que ataca o fígado e a medula óssea. Com o tempo, o paciente vai se recuperando, mas pode deixar sequela sim.
mosquito-palha, flebótomo, leishmaniose, Sul de Minas (Foto: Reprodução EPTV/Tarciso Silva)Combater o mosquito-palha é solução para evitar novos casos de leishmaniose no Sul de Minas
(Foto: Reprodução EPTV/Tarciso Silva)
G1: O Sul de Minas registrou alguns casos de leishmaniose este ano. No único caso da forma visceral, a paciente conseguiu se recuperar. Mesmo assim, a preocupação em torno da proliferação da doença surgiu. O senhor costuma ver casos de leishmaniose na região?
Adelmo: Aqui no Sul de Minas é incomum. Eu nunca tratei esses casos aqui. A forma cutânea é mais comum no Norte e Nordeste do país. A visceral existe em Minas, mas em outras regiões, que são endêmicas.
G1: E como ocorre a transmissão?
Adelmo: O transmissor é o flebótomo, conhecido popularmente como mosquito palha. Ele transmite o protozoário por meio da picada. Os cães são hospedeiros da leishmaniose visceral. Eles não transmitem a doença, assim como ela não é transmitida entre humanos. Mas o mosquito pode picar o cachorro que está com a doença e se infectar.
Rio Machado, Poço Fundo (Foto: Reprodução EPTV/Edson de Oliveira)Locais úmidos e sem limpeza adequada favorecem a proliferação do mosquito-palha
(Foto: Reprodução EPTV/Edson de Oliveira)
G1: E quais as formas de controle existentes?
Adelmo: Não existe vacina contra a leishmaniose. Manter a higiene é a única solução para combater o transmissor. Quando o cachorro está infectado, a eutanásia, o sacrifício do animal, embora eu não concorde, é a única medida existente porque o tratamento humano não é eficiente para os cães. No final do ano passado, foi aprovado no Brasil um tratamento específico para os animais, que pode ser uma solução, mas ainda é pouco conhecido no país. A melhor prevenção mesmo é cuidar da higiene: manter os quintais limpos, evitar a água parada, evitar o ambiente úmido, sem folhas, fazer a pulverização, usar roupas que cobrem o corpo, repelentes, telas para proteção em áreas endêmicas. A responsabilidade tem que ser dividida, não só do poder público, mas nós, cidadão, temos que ter os cuidados para erradicar o mosquito. Talvez esse descuido da população que possa ter propagado um pouco mais o protozoário, além de alterações ambientais, como o desmatamento, que influencia na propagação da doença.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Vacina contra a Leishmaniose animal, em dose única

Nova vacina contra a Leishmaniose Canina no mercado nacional

Desenvolvida pelos Laboratórios LETI, a LETIFEND® é a primeira vacina contra a Leishmaniose Canina baseada numa proteína recombinante e totalmente desenvolvida na Europa, sendo a quarta vacina contra a Leishmaniose Canina em todo o mundo.
Portugal, Espanha, França e Itália fazem parte da lista de países mais afetados com cerca de 2,5 milhões de cães infetados por Leishmania Infantum.
Estima-se que Portugal tenha mais de 2 milhões de cães e que o risco de infeção aumente entre abril e setembro. Tendo a prevalência da Leishmaniose Canina aumentado nos últimos anos, especialmente nas regiões de Lisboa, Alentejo e Algarve.
©MIGUEL BERROCAL
©MIGUEL BERROCAL
Jaime Grego, presidente dos Laboratórios LETI, explica que “em 2016, obtivemos a aprovação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para comercialização da vacina LETIFEND® em todos os estados membros da União Europeia. Esta inovadora vacina, que agora está disponível a todos os veterinários portugueses, é também um passo fundamental para o desenvolvimento da vacina contra a Leishmaniose Humana, um projeto com elevada prioridade para os Laboratórios LETI, que desde há cerca de 25 anos realizam investigações em colaboração com diversos centros nacionais e internacionais para alcançar este objetivo”.
Esta vacina recombinante é o resultado de anos de investigação dos Laboratórios LETI. LETIFEND® tem por base uma proteína quimérica, construída a partir da união de cinco fragmentos de proteínas do parasita L. infantum, com capacidade antigénica, para proporcionar, aos veterinários, uma ferramenta avançada, plenamente segura e eficaz na imunização de cães não infetados, logo a partir dos 6 meses de idade.
A nova vacina reduz o risco de infeção ativa ou doença clínica após exposição do animal ao L. infantum, e foi concebida para minimizar o risco de efeitos secundários e reações adversas, graças à sua fórmula, única, sem adjuvante.
©MIGUEL BERROCAL
©MIGUEL BERROCAL
LETIFEND® é administrada numa única dose anual, de modo que pode ser incluída em protocolos de vacinação dos cães, logo a partir dos 6 meses de idade e começa a atuar 28 dias após a administração, com imunidade para 365 dias.
A sua fórmula permite a vacinação dos animais, sem comprometer ou interferir com o posterior diagnóstico serológico e garante a inexistência de efeitos secundários no animal, frequentemente verificados até então.
Os Laboratórios LETI têm estrutura física em Portugal (Leça do Balio, no Porto), para dar resposta às necessidades do mercado nacional, que é muito relevante para a empresa espanhola com sede em Barcelona.
Este é mais um passo fundamental dos Laboratórios LETI 

Milteforan cura a leishmaniose no animal?? Saiba mais

Milteforan: medicamento realmente cura o animal com leishmaniose?

Três Lagoas      Autor: Loislenne Longui
Arquivo Pessoal/Facebook Dr. Fábio Nogueira, pesquisador responsável pela liberação do fármacoDr. Fábio Nogueira, pesquisador responsável pela liberação do fármaco
 Desde agosto do ano passado a comercialização do Milteforan – medicamento usado no tratamento de cães com leishmaniose – foi liberada no Brasil, graças a estudos e pesquisas que comprovaram o efeito de cura que a medicação possui. No entanto, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre a eficácia do produto em relação a cura do animal infectado. O ExpressãoMS, conversou com o pesquisador responsável pelo estudo de eficácia da Miltefosina no Brasil, o Médico Veterinário e sócio fundador da Brasileish, Fábio dos Santos Nogueira, para esclarecer dúvidas frequentes sobre o assunto.
A leishmaniose humana e canina é uma doença que apresenta tratamento, mas é de difícil cura. “Quando falamos de cura, quero dizer cura parasitológica estéril, o que é raro nesta enfermidade”, explicou o doutor. O país passa por um aumento significativo e progressivo do número de casos humanos e caninos de leishmaniose visceral, gerando grande preocupação nos agentes de saúde pública, médicos e veterinários no país. Em Três Lagoas, nos últimos três anos foram constatados aumento de 71% nos casos de leishmaniose visceral em humanos. Em 2014 foram sete casos; 2015 positivos deram nove; e em 2016, 12 pessoas foram diagnosticadas com a doença.
Depois de anos de estudo e pesquisas – que foram realizadas em Andradina (SP) – eles conseguiram comprovar que o animal tratado não continua transmitindo a doença. Essa dúvida afinal é um antigo tabu da sociedade, que ainda tem preconceito em adotar ou cuidar de animais que tenham a doença. “O tutor deve procurar o tratamento sabendo que vai lhe exigir responsabilidade, acompanhamento clínico, custos e que visa um tratamento individual e não como medida de saúde pública. Com a liberação de uma droga específica para o tratamento canino, o veterinário sai da clandestinidade e se for realizado de forma correta terá uma excelente possibilidade de tratamento do animal”.
O tratamento
O tratamento promove melhora clínica, redução da carga parasitária, recuperação imunológica e redução ou bloqueio da transmissão da doença. O Milteforan mata o parasito, ou seja, tem efeito leishmanicida. Sua administração deve ser feita durante 28 dias ininterruptos, por via oral, associado com Allopurinol e outros imunomoduladores. O animal sempre irá precisar de acompanhamento veterinário.
A doença é causada por um protozoário digenético – parasitas que só completam seu ciclo evolutivo se passarem pelo menos dois hospedeiros – o vetor (conhecido como flebotomíneo), ou mosquito palha, abriga a forma promastigota, e precisa de um vertebrado que funcione como um reservatório da doença. Esse reservatório pode ser em cães, gatos, gambás e no homem. “Esta é a principal e mais importante forma de transmissão. Se não tivermos estes dois atores, não teremos a doença. Não adianta eliminar o cão e deixar os mosquitos, que utilizarão outros reservatórios para manter a enfermidade. A leishmaniose é uma doença que depois que chega à cidade, é preciso aprender a conviver com ela. Descobrir no município quais são os fatores que favoreceram a multiplicação e adaptação do inseto é primordial e deve ser o papel do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)”.
O especialista ainda explicou que o medo que as pessoas sentem em ter um animal em tratamento dentro de casa é totalmente desnecessário, já que não é uma doença contagiosa, e apenas os flebotomíneos infectam as pessoas, que já tem algum potencial de infecção. “Infelizmente a doença é negligenciada e muitos profissionais da área médica (médicos, veterinários, biólogos) a desconhecem. Há um pré-conceito muito grande e ainda são usadas medias que eram adotadas em 1963. Hoje a medicina evoluiu e temos ferramentas de diagnóstico que nos permite identificar se um animal está infectado, se está doente, e se está transmitindo (potencial de infectividade). As pessoas ainda morrem ou por falta de diagnóstico do médico ou pelo potencial nefro e cardiotóxico das medicações que são utilizadas para o tratamento”, explicou.
Expectativa de vida do animal
A expectativa de vida de um animal vai depender da resposta perante o tratamento. O animal terá uma vida normal, no entanto deve ser acompanhado por um profissional qualificado com exames a cada quatro ou seis meses, além de usar coleiras e repelentes que impeçam uma nova reinfecção. O tratamento não o torna imune. Em áreas endêmicas a prevenção em animais tratados é essencial.
Nogueira explicou que o tratamento é individual e não será adotado como medida de saúde pública, por isso, o governo não utilizará para combater endemias. O medicamento é uma droga controlada, vendida apenas para médicos veterinários. Existe um número de série que o proprietário do animal utiliza para se cadastrar em uma ferramenta chamada Club Pet Virbac. Através desse clube, é possível obter benefícios e descontos, além de lembretes de quando procurar o médico veterinário novamente. No entanto, o doutor explicou que somente os produtos vendidos no Brasil apresentam este número de série. O fármaco começou a ser vendido em janeiro no país.
A membra da associação Protetoras TrêsLagoas, Emiliane Souza, já perdeu as contas de quantos animais contaminados com a doença já resgatou. Ela contou que há sete anos cuida de Fred, um de seus vários animais de estimação. “Resgatei o Fred das ruas com sete meses de vida, já com leishmaniose. Na época não tínhamos acesso ao Milteforan, só se entrasse ilegalmente no Brasil, mas existem remédios que auxiliam no tratamento do animal e o permite uma vida normal. Só não conseguimos recuperar animais em estado avançado, quando a doença já afetou o fígado e os rins”.
Emiliane realiza exames de seis em seis meses, e administra corretamente o único remédio que Fred toma, Allopurinol. Segundo ela, o pet nunca apresentou recaídas e vive muito bem.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Leishmaniose avança em Presidente prudente e região.

Pesquisa aponta avanço da leishmaniose na região de PP

Da Redação, às 19:08:00 de 15/02/2017
Homem ou o animal infectados se tornam reservatórios da doença; prevenção é o principal remédio
Homem ou o animal infectados se tornam reservatórios da doença; prevenção é o principal remédio 
(Foto: Arquivo/Gabriela Oliveira/AI Unoeste)
A leishmaniose vem se espalhando rapidamente pelo Oeste Paulista desde 2005, ano em que foi relatado o primeiro caso na região.
A constatação faz parte de uma pesquisa chamada “Características clínicas e distribuição espacial da leishmaniose visceral em crianças do Estado de São Paulo: um foco emergente de leishmaniose visceral no Brasil”, um estudo interinstitucional que conta com a participação de docentes de uma universidade de Presidente Prudente.

O trabalho analisou a evolução clínica, o tratamento e aspectos epidemiológicos de 63 crianças encaminhadas ao Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente, vindas de 45 municípios que compõem a Rede Regional de Assistência e Saúde 11 (RRAS11), diagnosticadas e tratadas entre 2006 e 2010.
A pesquisa mostra que a leishmaniose é emergente no Oeste do Estado de São Paulo e foi motivada pelo registro de 330 casos humanos na região entre 2005 e 2012, sendo 19 óbitos.

A leishmaniose visceral é uma zoonose, doença que precisa de um animal vertebrado para completar seu ciclo, para isso, costuma usar um cachorro doméstico. Isso porque depois de utilizar o cão como reservatório, o mosquito transmissor infectado, que vive normalmente em ambientes escuros, úmidos e com acúmulo de lixo orgânico, pode numa simples picada levar a doença ao ser humano.

E o desafio de combater à leishmaniose ganhou destaque também em âmbito internacional, já que revista especializada em saúde e doenças tropicais “Pathogens and Global Health” publicou o estudo.

Resultados

O estudo mostra alguns fatores que contribuem para a redução no número de óbitos e evolução das crianças, como a agilidade no período entre diagnóstico e tratamento. Além disso, a internação em um hospital de referência – como o HR – com equipe multidisciplinar e suporte de UTI pediátrica é fundamental.

Durante a pesquisa, apenas um óbito foi registrado. Os municípios de Panorama e Tupi Paulista tiveram o maior número de pacientes em tratamento, com 21% e 16,5% respectivamente.
A idade média das crianças internadas foi de 3,3 anos, enquanto o espaço entre o diagnóstico e início de tratamento foi de 16 dias; já o tempo médio de internação hospitalar, 18 dias.

Um detalhe que merece atenção é que 9,6% das crianças sofreram com o reaparecimento da doença ou sintoma depois de tratadas, sendo que 19% foram levadas para a UTI pediátrica.

Leishmaniose - Ajude a prevenir.

Você pode fazer a sua parte, cuidando dos espaços onde vive e de sua vizinhança. Seja consciente e saiba que viver em comunidade e bem, muda tudo a sua volta.

Nosso real foco é #salvarvidas

Previna-se:

Manter a poda de árvores, folhagens e grama dos quintais;

Manter quintais, estábulos e galinheiros limpos e livres de folhas, frutos e fezes;

Manter galinheiros e abrigos de animais afastados da casa;

Se possível colocar telas finas nas portas e janelas;

Manter a saúde e a higiene de seus animais, usando coleira repelente de insetos e não permitindo que o cão fique solto nas ruas;

Embalar em sacos plásticos e colocar para coleta a matéria orgânica (folhas, frutos e fezes) retirados dos quintais, estábulos e galinheiros.

Plantar repelentes como citronela, neêm, e outras plantas que possa ajudar a repelir os insetos.

O Encoleiramento dos cães que vivem nas casas e ao redor, também ajuda a prevenir o meio ambiente, como a coleira scalibor, que além de prevenir o cão de ser picado, ajuda o meio ambiente, matando os insetos. Há mais de 10 anos prevenindo contra a leishmaniose. #coleirascalibor #leishmaniose #prevenção #leishmaniosemata #diganaoaleishmaniose 


Leishmaniose - Mais casos em Marília interior de São Paulo

15/02/2017 19h15 - Atualizado em 15/02/2017 19h15

Marília confirma terceiro caso de leishmaniose visceral em 2017

Paciente é uma mulher de 59 anos moradora do Parque das Primaveras.
Em 2016 foram registrados dez casos da doença na cidade.

Do G1 Bauru e Marília
A Secretaria da Saúde de Marília (SP) confirmou nesta quarta-feira (15) o terceiro caso de leishmaniose visceral em humanos. A paciente é uma mulher de 59 anos moradora do Parque das Primaveras, na zona norte da cidade.
Segundo a Secretaria de Saúde, a mulher está recebendo medicação e está bem. Os outros dois casos do ano também foram registrados na zona norte. Um no bairro Jânio Quadros e outro no Santa Antonieta.
Em 2016 foram registrados dez casos da doença na cidade, sendo que seis deles foram registrados no bairro Jânio Quadros.
A leishmaniose é transmitida pelo mosquito palha. O mosquito suga o sangue do animal infectado, no caso o cachorro, e depois pica uma pessoa saudável transmitindo a doença.
A doença é muito grave. Nos humanos prejudica órgãos vitais como fígado e medula óssea onde são produzidas as células do sangue. Com isso causa anemia e queda de imunidade. Também deixa o animal bem debilitado. Por isso é importante notar os sintomas logo no início para evitar a transmissão.
No ser humano o tratamento é doloroso e precisa até de internação. No cão, um tratamento foi aprovado recentemente pela Anvisa e os animais não precisam mais ser sacrificados.
O mosquito se reproduz em material orgânico: lixo exposto, folhas úmidas, frutas apodrecidas e fezes de animais. Tudo isso deve ser evitado, o quintal e terrenos desocupados precisam estar limpos e outro cuidado é imunizar o cãozinho, mas a vacina não é fornecida de graça. O preço da vacina de leishmaniose é R$ 120 cada dose e são necessárias três. A coleira varia conforme o peso do animal, entre R$ 80 a R$ 100.
CCZ faz mutirão contra a leishmaniose em Presidente Prudente (Foto: Reprodução/TV Fronteira)Cachorros precisam tomar a vacina contra a leishmaniose  (Foto: Reprodução/TV Fronteira)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Leishmaniose - CCZ - Campo Grande terá um dos mais mestres em leishmaniose

04/02/2017 10:43

Nova fase do CCZ pode mudar cultura de 'tirar o cão e deixar o mosquito'

André Luis Soares da Fonseca deve ser nomeado em breve e quando assumir o órgão quer conscientizar a população quanto ao uso de telas na janela; reduzir a população canina, implantar sistema de consultas e a carrocinha do bem

Christiane Reis
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André Luis da Fonseca estima que processo de cedência deva estar concluído em 15 dias. (Foto: Christiane Reis)André Luis da Fonseca estima que processo de cedência deva estar concluído em 15 dias. (Foto: Christiane Reis)
O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) está prestes a uma mudança na forma de atuação, com o novo coordenador que vai responder pelo órgão. Como primeiras ações, está o Pronto-Atendimento veterinário para realizar consultas aos animais. Também é meta aumentar a campanha de castrações e conscientizar a população para que foque na eliminação do mosquito causador da leishmaniose e não no extermínio de cachorros.
Médico-veterinário, advogado e professor universitário, André Luís Soares da Fonseca, aguarda documentação de cedência para o município, o que na estimativa dele deve levar pelo menos mais uns 15 dias. Enquanto isso, o que não faltam são projetos.
André pretende atuar em um sistema que resume como engrenagem. “Temos de reduzir a população canina, que hoje está estimada em 162 mil cães e pretendemos chegar a 80 mil em três anos, realizando o trabalho de castração. Já existe o levantamento dos bairros com maior população de animais que estão na rua, não digo cães de rua, mas aqueles que pelo fato da casa não ter muro acabam ficando na rua”, disse André Luis da Fonseca.

A capital já tem população canina em torno de 162 mil animais. A intenção é controlar a natalidade. (Foto: Arquivo)A capital já tem população canina em torno de 162 mil animais. A intenção é controlar a natalidade. (Foto: Arquivo)
Nesse caso, o trabalho será feito no âmbito da 'Carrocinha do Bem', que consiste em buscar os animais nos bairros apontados pelo levantamento, castrar no CCZ e devolver ao dono. “Queremos atingir a meta de realizar 100 castrações por dia”, disse. Para isso, além dos quatro veterinários que já atuam no órgão, mais quatro serão contratados. Ele não detalhou o levantamento, mas apontou o Jardim Noroeste como um dos bairros com grande número de animais.
Outra ação que deve iniciar assim que assumir é o Pronto-atendimento Veterinário, não será um hospital, segundo informou, por que não haverá condições de se fazer tratamentos mais complexos. A ideia é realizar um sistema de consultas e manter alinhada a conversa com as coordenações de saúde, quanto à questão de medicamentos.
Além disso, por meio do CCZ Legal, ele pretende estende o horário para adoção de animais. Hoje é possível adotar apenas no horário das 17 às 19 horas. A ideia de André Luis é fazer isso em período integral.
No Bairro Noroeste, cães costumam ficar nas calçadas e à noite são colocados para dentro. (Foto: Christiane Reis)No Bairro Noroeste, cães costumam ficar nas calçadas e à noite são colocados para dentro. (Foto: Christiane Reis)
Mais cachorro em uma das ruas do Jardim Noroeste, onde segundo André Luis há grande número de cães. (Foto: Christiane Reis)Mais cachorro em uma das ruas do Jardim Noroeste, onde segundo André Luis há grande número de cães. (Foto: Christiane Reis)
Conscientização – Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), a metodologia estatística feita pelo CCZ aponta prevalência real da leishmanioses em 20,14% da população canina de Campo Grande, que hoje é de 162 mil animais.
Na leitura de André Luis da Fonseca é preciso que a população entenda que a leishmaniose é uma doença vetorial, “o que ocorre é que a população retira o cachorro e não elimina o mosquito que é o responsável pela transmissão da doença”, disse André Luis da Fonseca. Ele apontou também que estudos recentes apontaram que de cada dez pessoas infectadas pela leishmaniose oito não tinham cachorro em casa.
Outro detalhe é com relação à amplitude de voo do mosquito, que varia de 200 metros a 2 quilômetros, depois de infectado o mosquito leva de 5 a 7 dias para poder infectar alguém. Sabendo disso a população precisa se proteger e não é do cachorro e sim do mosquito. Como? A primeira recomendação é um hábito antigo, comum em fazendas, telas nas janelas.
“Nós estamos em uma cidade quente, então nas casas que não têm ar-condicionado, as pessoas tendem a deixar a janela aberta, se a janela estiver com tela, o mosquito não vai entrar”, recomenda.
Outra recomendação é criar o hábito de usar roupas compridas de tecidos leves, como forma de se proteger também.
Augusto Santana diz que na casa dele os mosquitos não entram por conta das telas nas janelas. (Foto: Christiane Reis)Augusto Santana diz que na casa dele os mosquitos não entram por conta das telas nas janelas. (Foto: Christiane Reis)
Em outra casa do bairro, as janelas também estão com telas. (Foto: Christiane Reis)Em outra casa do bairro, as janelas também estão com telas. (Foto: Christiane Reis)
Proteção – A reportagem visitou o Jardim Noroeste, um dos bairros apontados como sendo com grande número de animais. Em uma volta rápida pelo bairro foi possível verificar que alguns moradores já usam telas para se proteger dos mosquitos.
Na casa do auxiliar de açougueiro, Augusto Ribeiro Santana, 21 anos, as telas estão nas janelas do quarto e do banheiro. “ Eu moro aqui há dois meses e quando vim as telas já estavam instaladas. Gostei bastante porque posso deixar a janela aberta que não entra mosquito. Quanto a isso me sinto protegido”, disse.
Perto da casa dele a operadora de caixa, Simeia Oviedo, 30 anos, também mantém na cozinha industrial telas nas janelas e na porta. “Aqui fazemos salgados e colocamos as telas para não entrar insetos mesmo. Mas vamos reformar a nossa casa e vamos colocar em todas as janelas, porque realmente é algo que funciona”, disse.
Já a dona de casa Renata Cristina Vicente da Silva, 33 anos, gostou da ideia da Carrocinha do Bem. “ Acho uma ótima ideia, porque a minha cachorra em um ano já teve duas crias. Na última nasceram quatro cachorrinhos, sendo que dois morreram. Ainda bem que consegui encontrar gente responsável para ficar com os outros dois”, contou.
Ela tem dois cachorros , durante o dia, eles costumam ficar em frente de casa, na calçada. À noite ela guarda os cães.