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Hebe Camargo num lambeselinho em Grande Otelo, mascote da campanha.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Indaiatuba vive surto de Leishmaniose População deve se conscientizar e prevenir seus cães


População fala em surto de Leishmaniose em Indaiatuba; Prefeitura pede cautela 


População fala em surto de Leishmaniose em Indaiatuba; Prefeitura pede cautela
História começou nos bairros Videiras e Vale das Laranjeiras, mas já se estenderia a Itaici; diagnóstico preciso vai evitar sacrifício indiscriminado de animais, ressaltam autoridades
A história teve início em loteamentos como Vale das Laranjeiras e bairros como Videira: cães com suspeita de leishmaniose. Mas, o assunto já começa a preocupar a população de Indaiatuba e comunidades relacionadas à defesa dos animais. A notícia é a de que os números de casos cresceram muito nos últimos meses e a Prefeitura não está divulgando os números corretos.
Na semana passada, uma moradora do Vale recebeu um telefonema vindo da Prefeitura dizendo que o resultado da coleta de sangue feito no cachorro Bungo, de 6 anos, tinha dado positivo para Leishmaniose.
“Eles disseram ao meu marido que viriam naquele dia mesmo para fazer uma segunda coleta de sangue; não apareceram, não deram notícias e nem um retorno”, conta a moradora que por conta própria refez todos os exames e mantém até hoje Bungo internado numa clínica veterinária particular.
Segundo a autora da reclamação, o problema é que ela não está vendo nenhuma ação da Prefeitura no sentido de evitar uma possível proliferação da doença. Segundo os moradores, os bairros mais atingidos seriam Vale das Laranjeiras, Videira e mais recentemente, Itaici.
Resposta da Prefeitura
Segundo a Assessoria de Comunicação Social (ACS) da Prefeitura de Indaiatuba, de fato, no dia 3 de maio, técnicos do Instituto Adolfo Lutz estiveram na cidade fazendo o exame “aspirado de linfonodo” em cães que tiveram resultado positivo no inquérito canino realizado em abril, em 140 animais dos bairros Videira e Vale das Laranjeiras.
Dos 18 casos positivados no inquérito, o exame foi refeito em oito cães (em quatro casos as residências estavam fechadas, dois não autorizaram a realização do exame, três cachorros não tinham linfonodos pelo corpo e um havia fugido).
Ainda segundo a assessoria da Prefeitura, os técnicos deverão retornar ao município para fazer o exame nos quatro cachorros das residências que estavam fechadas, mas ainda não foi definida uma data.
Histórico
Em razão do início do diagnóstico da doença em março, em seis cães de proprietários residentes nos bairros Videira e Vale das Laranjeiras, no mês seguinte foi realizado o inquérito entomológico, que é a colocação de armadilhas em lugares estratégicos com o objetivo de capturar amostras de flebotomínios, mosquito transmissor da doença.
Os insetos capturados foram encaminhados para análise pela Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) de Mogi Guaçú. O Departamento de Vigilância Epidemiológica do Município aguarda o resultado do inquérito e também da pesquisa de isoensima -- exame específico realizado pelo laboratório Bio-Manguinhos, Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) -- que verifica a presença da leishmaniose chagasi.
Cautela vai evitar sacrifício dos animais
A Prefeitura reforça ainda, cautela na divulgação das informações, uma vez que os procedimentos para o diagnóstico final da doença são extensos e até o momento não estão concluídos. Por enquanto, segundo a Prefeitura, os casos identificados no Município  são considerados suspeitos.
A prudência é uma orientação da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) do Governo do Estado de São Paulo, já que os dados não são conclusivos. O objetivo é evitar o sacrifício indiscriminado dos animais.
Diante de casos suspeitos, a população pode ligar para os telefones 3834-9207 ou 3834-9297 para solicitar apoio e obter orientações profissionais.
O que é?
Leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada do mosquito infectado. A doença afeta animais domésticos, urbanos e silvestres. Para cada ser humano contaminado estima-se que há uma média de 200 cães infectados. Existem dois tipos de leishmaniose: a tegumentar, que se caracteriza por feridas na pele, e a visceral, que ataca vários órgãos internos.
Os sintomas variam de acordo com o tipo da leishmaniose. No caso da tegumentar, surge uma pequena elevação avermelhada na pele que vai aumentando até se tornar uma ferida que pode estar recoberta por crosta ou secreção purulenta. Há também a possibilidade de sua manifestação se dar através de lesões inflamatórias no nariz ou na boca. Na visceral, ocorre febre irregular, anemia, indisposição, palidez da pele e mucosas, perda de peso, inchaço abdominal devido ao aumento do fígado e do baço.
Ações
Nas áreas endêmicas, os fiscais visitam as residências para realizar a coleta de sangue dos animais. Após o exame, os proprietários precisam aguardar cerca de 60 dias pelo resultado do teste para saber se o animal está infectado e se terá que ser sacrificado, já que com a portaria interministerial nº 1426 editada em julho de 2008, é proibido o tratamento da doença com produtos de uso humano.
A opção de eutanásia de um animal de estimação é certamente para muitos uma decisão difícil, e muitas vezes o proprietário procura por alternativas paliativas, recorrendo-se geralmente ao argumento de que a portaria não proíbe, contudo, o tratamento da doença com produtos específicos para animais; e que a validade da referida portaria encontra-se em discussão na justiça (o que não a torna inválida).
Contudo é fato que o animal contaminado, quando sob tratamento - quer humano quer específico ao animal - embora possa em uma parcela dos casos apresentar remissão dos sintomas da doença, permanece infectado com o parasita em sua forma ativa, e por tal constitui um reservatório da doença no ambiente em questão.
Acrescido a presença do agente vetor em tais ambientes, o que geralmente é a situação dada a contaminação do animal, tal configuração caracteriza-se como uma situação de risco iminente aos demais no ambiente, incluso sobretudo os seres humanos, risco muito agravado em caso de presença de crianças e idosos.
Vacina
Já existe no mercado há 5 anos uma vacina contra a Leishmaniose Visceral Canina, a Leishmune, do laboratório Fort Dodge Saúde Animal, registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) desde 2003. Além desta vacina, existe uma outra do laboratório Hertape, em que, após vacinação, o animal continua negativo no exame de RIFI, diferente da vacina Fort Dodge.
 A vacina confere proteção superior a 92% e já protegeu mais de 70.000 cães vacinados em todo o Brasil. É importante ressaltar que os animais vacinados apresentam resultados negativos nos kits ELISA atualmente licenciados pelo MAPA (Kit Biogene e Kit Bio-Manguinhos).
O programa vacinal deve ser associado a outras medidas de controle, como combate ao inseto vetor (flebótomo), com a aplicação de inseticida no ambiente, o uso de produtos repelentes no cão, a educação da população quanto à posse responsável, controle de natalidade canina e o emprego de medidas de saneamento básico.
Foto: meramente ilustrativa

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